As artes tradicionais e digitais sempre foram muito intensas em minha vida, desde o início.
Sou feliz e grato por fazer parte de uma família de artistas (desenhistas, pintores, músicos e artesãos) e descobri o desenho e a pintura muito cedo, ainda criança. No início da adolescência tive contato com fotografia e, através da programação de computadores, em meados dos '80, conheci o universo digital, que continuou por toda a vida em diversos níveis. Um pouco mais tarde veio a composição músical, primeiro através da eletrônica, depois com instrumentos convencionais, até se misturarem.
Da experiência profissional adquirida em mais de 25 anos imerso na criação de soluções digitais e ilustrações, surgiu meu domínio do universo gráfico digital. Apesar das várias atividades, o lápis-e-papel sempre andaram em paralelo à cada momento. Dessa mistura de criatividade, lápis, papel, métrica, expressão, notas musicais, bits e bytes que trago desde cedo na cabeça surgiu a imensa facilidade em entender a luz, a cor e a comunicação através da imagem.
Em um caminho natural, percebi que a fotografia funcionava uma extensão dos meus dons primários, fortemente baseados no desenho artístico à mão-livre. O caminho até a fotografia digital seria mesmo inevitável.
Utilizando os conceitos que aprendi em quase 4 décadas de desenho (criando principalmente com grafite, nanquim e aquarela sobre papéis pesados, minhas técnicas preferidas), procuro expor nas fotografias uma comunicação que permita a transmissão efetiva de idéias, o que acredito ser uma função básica de qualquer arte. Minha relação com a composição de música instrumental é também muito útil, pois aproveito as lições de "contar histórias sem usar palavras", elemento-chave valiosíssimo na comunicação através de imagens.
Assim, misturando conhecimentos de várias técnicas e artes, quero chegar à uma linguagem cada vez mais própria, uma "assinatura artistica pessoal" em cada um dos meus meios de expressão. Na fotografia isso se percebe pela interação calculada entre os elementos, o uso de contrastes objetvos e subjetivos e a preferência por temas e pontos de vista não óbvios, muitas vezes de conceituação ou realização difícil, experimental.
Vejo tudo isso como um caldeirão de muitos temperos que sempre ferveu mas nunca fica pronto, ou um clássico 'melting pot' revisto que não atinge a homogeneidade. "