Curso Integral de Fotografia - Capítulo 001 - Luz e Cor

Luz e Cor


Luz é RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA em comprimentos de onda e frequências específicas. Nossos olhos, em conjunto com o cérebro, podem receber e interpretar estas ondas, permitindo que enxerguemos formas e cores no ambiente. Ondas de rádio, raio-x, raios gama, eletricidade, radiação infravermelha e ultravioleta são também radiações eletromagnéticas, mas de freqüências e comprimentos de onda diferentes e, por conseqüência, não são perceptíveis pelos nossos olhos.


Sir Isaac Newton (1463 – 1727), em 1666, aos 23 anos de idade, estudou a difração de um raio de luz em um bloco de vidro triangular (o prisma), em uma sala escura, e conseguiu decompor a luz branca em seus componentes básicos, exibindo todas as cores do espectro visível em uma parede branca. Isso iniciou o entendimento de que a COR é a interação da LUZ com a MATÉRIA e se forma por meio das diferentes características reflexivas e absorsivas dos corpos. A partir dos seus estudos, a ciência pôde compreender esta manifestação natural. Hoje, mais de 400 anos depois da sua descoberta e após inúmeros trabalhos de outros pesquisadores, estes estudos são a base para todo tipo de sistema de reconhecimento e reprodução de imagens. Entre eles, claro, está a fotografia.

Cada ser vivo pode ter sensibilidades diferenciadas à estas frequências. Estudos já comprovaram que as espécies possuem sensibilidades distintas sobre o espectro de radiação eletromagnética. Por exemplo:

  • Serpentes conseguem perceber ondas de infravermelho, detectando o calor emitido pelos corpos das suas presas;
  • Aves migratórias se orientam nos vôos utilizando sua sensibilidade aos campos magnéticos do planeta;
  • Vários insetos, como as abelhas, são sensíveis à radiação ultravioleta refletida pelas flores, que os atraem para promover a polinização;
  • Felinos distinguem diferenças entre verde, azul, amarelo e vermelho, mas são mais sensíveis aos azuis e violetas;
  • Papagaios e araras conseguem enxergar radiação ultravioleta;
  • Escorpiões brilham quando expostos à radiação ultravioleta, acredita-se que assim se tornem mais visíveis aos parceiros em épocas de acasalamento.

Até mesmo nós, humanos, podemos ver as cores de maneiras distintas entre indivíduos, que apresentariam maior ou menor sensibilidade à alguma faixa do espectro visível. Sendo assim, podemos afirmar que o reconhecimento das cores é puramente subjetivo, realizado através do conjunto olhos-cérebro, embora sua existência seja uma manifestação física natural.

Em um sentido amplo, luz é radiação eletromagnética presente no espectro entre o infravermelho e o ultravioleta, e as cores são resultados da reflexão e absorção desta radiação por diferentes compostos físicos. Considerando as cores como luz refletida pela matéria e entendendo a experiência de Newton, vemos que a luz branca é resultado da soma de todas as frequências do espectro visível, enquanto o preto é a ausência destas frequências.



Composição da cor: Síntese Aditiva (Processo RGB)


Apesar de haver um amplo espectro visível na luz branca, são necessárias apenas TRÊS CORES para produzir todas as outras, pois nossos olhos somente são sensíveis a estas: VERMELHO, VERDE e AZUL. Estas cores são chamadas de PRIMÁRIAS, e a soma das suas energias resulta em LUZ BRANCA. Se combinadas em diferentes intensidades, elas podem formar todo o espectro visível. Todo objeto que recebe luz absorve certas frequências e reflete outras, e aquelas que são refletidas correspondem à cor do objeto, através da interpretação dos impulsos elétricos que chegam ao cérebro via nervo óptico.

Refletindo e absorvendo energia


As cores como vemos são resultado da reflexão ou absorção das ondas eletromagnéticas pela matéria. Um objeto vermelho absorve todas as frequências acima e abaixo do “vermelho” na escala, refletindo somente as ondas que percebemos como “vermelho”. O mesmo acontece com todas as outras cores. Cada material, natural ou sintético, possui características diferentes de reflexão e absorção, e isto forma as cores das coisas.

Nossos olhos possuem terminações nervosas especiais no fundo do olho (os CONES e os BASTONETES, presentes na FÓVEA) que são sensíveis ao verde, vermelho e azul. Ao receberem a luz refletida pelos objeto, emitem sinais elétricos ao cérebro, que os codifica e nos faz perceber as cores. O que nossos olhos vêem, então, são determinadas frequências componentes da luz, que é absorvida ou refletida pela matéria. Um objeto que parece branco, na verdade, está refletindo todas as frequências do espectro visível, enquanto um objeto preto está absorvendo todas as frequências, sem refletir nada. A câmera fotográfica se comporta de maneira análoga aos olhos, tendo a capacidade de coletar esta radiação e registrá-la em um determinado suporte, seja em filmes químicos ou mídias digitais.

Nesta ilustração podemos ver que as folhas verdes recebem luz branca (vermelho, verde e azul somados) e absorvem azul e vermelho, refletindo o verde. A flor vermelha absorve azul e verde, refletindo o vermelho. E a flor amarela absorve apenas o azul, refletindo verde e vermelho, cuja combinação resulta em amarelo. A isso chamamos de SÍNTESE ADITIVA.
Podemos formar qualquer cor, inclusive o branco, partindo dessas três cores (luzes) fundamentais (VERMELHO, VERDE e AZUL - Red, Green, Blue). O preto corresponde à ausência dessas radiações. Essas luzes, misturadas entre si em diversas proporções, vão resultar em todas as cores possíveis. Observe, todavia, que estamos falando de LUZ EMITIDA. As tintas não se comportam dessa maneira, porque os pigmentos que as formam REFLETEM a luz que recebem, se comportando de maneira inteiramente contrária, como veremos mais adiante.

Este gráfico representa a formação das cores secundárias e do branco através das interações entre luzes com as cores primárias.


Composição da cor: Síntese Substrativa (Processo CMYK)


Na SÍNTESE SUBTRATIVA, as cores básicas são o AMARELO, MAGENTA e CIANO. Ocasionalmente, em alguns sistemas de impressão, usa-se preto para reforços de sombras, daí a sigla CMYK (Cyan, Magenta, Yellow, BlacK), sendo suas complementares, respectivamente, o AZUL, VERDE e VERMELHO. Como na síntese aditiva, as cores básicas podem ser combinadas duas a duas ou todas entre si, em diversas proporções, para se formar todas as cores possíveis através da absorção e reflexão de luz. Estas três cores juntas, em intensidade máxima, resultam em preto, ou seja, ausência de reflexão da luz incidente.

Nesta imagem ampliada podemos ver os pigmentos de tinta formando uma impressão em papel. Apesar da grande variedade aparente de cores, apenas três pigmentos foram utilizados: Ciano, Magenta e Amarelo. As combinações dessas três únicas cores, em forma de tintas, reproduz todas as outras, exceto o branco. Neste sistema o branco não é, um pigmento, mas sim o próprio substrato (no caso desta foto, o papel) sem presença de pigmentos. Esta é a Síntese Substrativa.

A SÍNTESE SUBSTRATIVA é a base conceitual e prática para todo tipo de impressão colorida, seja em papel ou qualquer outro tipo de material. Isto ocorre porque, ao contrário da SÍNTESE ADITIVA, as formas de onda correspondentes às cores refletidas pelos pigmentos não se somam, mas se ANULAM, pois as frequências presentes na luz branca são absorvidas. Isso vale para qualquer tipo de pigmentação, seja ela natural ou sintética.

Estes conceitos de cores básicas e complementares são fundamentais para a compreensão de vários temas em fotografia, pois suas aplicações são importantes quando se deseja entender o processo de captura, ou a realização do tratamento posterior da imagem, seja a cores ou P/B. Além disso, quando tratamos de impressão em papel, é essencial o domínio dos conceitos da síntese subtrativa.

Cores complementares


As cores complementares são as opostas, ou “negativas” de outra determinada cor. Uma cor é complementar à outra quando, ao se somarem, resultam em luz branca. Para exemplificar, tomemos o VERMELHO. Basta que adicionemos CIANO (que é a soma do VERDE com AZUL ) para obtermos LUZ BRANCA. Então...
A primária VERMELHO é complementar da secundária CIANO (que é soma das primárias VERDE + AZUL ), e vice-versa.
A primária AZUL é complementar da secundária AMARELO (que é soma das primárias VERDE + VERMELHO), e vice-versa.
A primária VERDE é complementar da secundária MAGENTA (que é soma das primárias AZUL + VERMELHO) , e vice-versa.

Ao se inverter as cores de uma imagem, podemos ver o “negativo” de cada matiz, que correspondem às suas cores complementares.



Estes dois gráficos representam os processos de formação da cor. Na fotografia, ambos atuam em conjunto constantemente, pois a câmera precisa capturar a luz (Síntese Aditiva) para posteriormente ser impressa em papel (Síntese Substrativa). Em ambos os processos, percebemos que as cores primárias e complementares (ou secundárias) são sempre as mesmas, porém inversas. Muda também o resultado da soma de todas elas: BRANCO, na Aditiva, e PRETO na Substrativa.