Curso Integral de Fotografia - Capítulo 002 - História

A palavra Fotografia vem do grego φωτός (phōtos, ou "luz", originado por φῶς (phōs)), e γραφή (graphé/graphos, ou "escrita"), e significa "escrever ou desenhar com luz". Por definição, fotografia é, essencialmente, a técnica de captura de imagens em uma superfície fotossensível por meio de exposição luminosa. Apesar da sua criaçãoo ser creditada aos franceses Daguérre e Niépce, sua invenção não é obra de um só autor, mas de um acúmulo de avanços realizados por muitas pessoas ao longo de muitos anos.

pic1Ao longo da história, diversas pessoas agregaram conceitos e processos que deram origem à fotografia. O mais antigo destes conceitos foi o da câmara escura (ou câmara obscura), já descrita a pelo menos 300 a.C. por historiadores gregos antigos. Consistia de um quarto totalmente escuro por onde passava luz através de um pequeno orifécio em um dos seus lados, fazendo com que a imagem do ambiente externo fosse projetada na parede interna oposta ao orifécio. Este dispositivo foi bastante usado por pintores e desenhistas para esboçar seus trabalhos até meados do séc. XVIII, havendo inclusive relatos de ter sido usado até mesmo pelo próprio Leonardo da Vinci.

Este dispositivo deu origem a equipamentos menores e mais eficientes após o uso de lentes óticas no lugar do orifício. Tornou-se então a base para o desenvolvimento de diversas técnicas, até culminar no equipamentos atuais, que nada mais são do que pequenas "câmeras escuras" em sua essência. No decorrer deste desenvolvimento, vários estudos foram feitos com o uso de diversos materiais com o objetivo não só de captar imagem pela luz, mas sim de fixá-la de forma definitiva em um meio físico. Isso só foi conseguido com a associação de pesquisas entre os franceses Joseph Nicéphore Niépce e Jacques Daguérre, daí a atribuição da invenção da fotografia aos seus nomes. Neste momento inicial, a fotografia era vista ainda como uma ciência, sendo desenvolvida e executada apenas por químicos, pesquisadores e cientistas.

Então, um passo muito importante foi dado em 1888, pelo empresário americano George Eastman. Com uma aguçada visão empreendedora, ele percebeu que a fotografia poderia ser transformada em produto de consumo para pessoas comuns, vislumbrando aí todo um potencial mercado. Criou então a Kodak, fornecendo ao público uma câmara escura de dimensões bastante reduzidas, já com um rolo de filme inserido e pronto para uso. Após o filme chegar ao final, seus clientes enviavam todo o equipamento à fábrica para que as imagens fossem reveladas e entregues de volta em papel, junto a outra unidade montada com um novo rolo de filme. Assim, Eastman tornou a fotografia em um processo simples, livrando seus clientes da manipulação complicada de químicos. Dessa forma ele a popularizou e a levou para os novos tempos.

Joseph Niépce (1765-1833)


pic1Joseph Nicéphore Niépce foi um inventor francês responsável por uma das primeiras fotografias. Niépce começou seus experimentos fotográficos no ainda no século XVIII, mas as imagens desapareciam rapidamente. Ele conseguiu imagens que demoraram a desaparecer em 1824 e o primeiro exemplo de uma imagem permanente ainda existente foi tirada em 1826. Ele chamava o processo de heliografia (do grego "hélios" (sol) e "graphos" (escrita), ou gravura com a luz solar) e demorava oito horas para gravar uma magem.

Em 1793, junto com o seu irmão Claude, oficial da marinha francesa, Niépce tenta obter imagens gravadas quimicamente com a câmara escura, durante uma temporada em Cagliari. Aos 40 anos, Niépce se retirou do exército francês para dedicar-se a inventos técnicos, graças à fortuna que sua família possuía. Nesta época, a litografia era muito popular na França, e como Niépce não tinha habilidade para o desenho, tentou obter através da câmera escura uma imagem permanente sobre o material litográfico de imprensa. Recobriu um papel com cloreto de prata e expôs durante várias horas na câmera escura, obtendo uma fraca imagem parcialmente fixada com ácido nítrico. Como essas imagens eram em negativo e Niépce queria imagens positivas que pudessem ser utilizadas como placa de impressão, determinou-se a realizar novas tentativas.

Em seus novos experimentos, Niépce recobria uma placa de estanho com betume branco da Judéia que tinha a propriedade de se endurecer quando atingido pela luz. Nas partes não afetadas, o betume era retirado com uma solução de essência de alfazema. Em 1826, expondo uma dessas placas durante aproximadamente 8 horas na sua câmera escura fabricada pelo ótico parisiense Chevalier, conseguiu uma imagem do quintal de sua casa. Apesar desta imagem não conter meios tons e não servir para a litografia, todas as autoridades na matéria a consideram como "a primeira fotografia permanente do mundo".

Em 1827, Niépce foi a Kew, perto de Londres, visitar Claude, levando consigo várias heliografias. Lá conheceu Francis Bauer, pintor botânico que de pronto reconheceu a importância do invento. Aconselhado a informar ao Rei Jorge IV e à Royal Society sobre o trabalho, Niépce, cauteloso, não descreve o processo completo, levando a Royal Society a não reconhecer o invento. De volta para a França, deixa com Bauer suas heliografias do Cardeal d"Amboise e da primeira fotografia de 1826. Em 1829 substitui as placas de metal revestidas de prata por estanho, e escurece as sombras com vapor de iodo. Este processo foi detalhado posteriormente em contrato de sociedade feito com Daguerre, que com estas informações pode descobrir em 1831 a sensibilidade da prata iodizada à luz. Niépce morreu em 1833 deixando sua obra nas mãos de Daguerre.

Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851)


pic1Louis Jacques Mandé Daguerre foi um pintor, cenógrafo, físico e inventor francês, tendo sido o primeiro a conseguir uma imagem fixa pela ação direta da luz, em 1835, com o daguerreótipo. No prosseguimento dos experimentos fotográficos de Joseph Nicéphore Niépce, a descoberta decisiva coube a Daguerre. Em 1835 ele apanhou uma placa revestida de prata sensibilizada com iodeto de prata, que apesar de exposta não apresentava sequer vestígios de imagem, e guardou-a displicentemente em um armário. Ao abri-lo no dia seguinte, encontrou a imagem revelada. Daguerre deduziu que vapores de elementos químicos guardados no armário fossem os responsáveis pelo processo de revelação. Fez várias experiências, por eliminação, com os outros produtos que estavam no armário, para descobrir que a imagem latente tinha sido revelada por ação do mercúrio.

Em 1837, ele já havia padronizado o processo que ainda tinha alguns grandes problemas, como a necessidade de longo tempo de exposição (15 a 30 minutos), a inversão da imagem e o contraste muito baixo. A imagem formada na chapa, depois de revelada, continuava sensível à luz do dia e rapidamente era destruída. Daguerre solucionou este último problema ao descobrir que, mergulhando as chapas reveladas numa solução aquecida de sal de cozinha, conseguia um efeito fixador, obtendo assim uma imagem inalterável.

Daguerre tinha problemas financeiros e não conseguiu obter o apoio de industriais por querer manter secreta a parte fundamental do seu processo. Em 1839 vendeu sua invenção, o daguerreótipo, ao governo francês, ficando a receber uma renda vitalícia de 6000 Francos anuais para si e 4000 Francos para Isidore Niépce, filho de Joseph Niépce. Pouco tempo depois, o governo francês abriu as patentes, dando ao mundo a possibilidade de apreciar livremente a nova tecnologia que havia surgido: a fotografia.

Evolução da câmera fotográfica


Do Renascimento ao início do século 19
Inicialmente utilizada para desenho e pintura, a câmara obscura deu origem à estrutura do daguerreótipo em meados do século 19. Fotografias eram feitas em chapas de metal ou vidro, e apesar da construção rudimentar do equipamento, as imagens possuíam boa qualidade.



Final do século 19 a meados da década de 1930
Empreendedores e inventores, como George Eastman (Kodak) e Oskar Barnack (Leica) criam câmeras práticas e consolidam a fotografia para as massas. Eastman cria o filme flexível em rolo e insere a redefine a fotografia como um produto comercial. No início dos anos 1900, surge o filme de 35mm. As Rangefinders são os modelos mais comuns. Em 1929 a Rolleiflex lança sua TLR (Twin Lens Reflex), o primeiro sistema de médio formato.



Meados das décadas de 1930 a 1960
A alemã Exakta lança o primeiro modelo de câmera SLR (Reflex). No Japão, a Asahi (Pentax) é pioneira na Ásia. Logo, outros fabricantes, como Zeiss, Miranda , Nikon, Canon e Yashica lançam seus modelos de SLR até 1959. Em 1959 A Nikon lança sua lendária e robusta série “F”, cujo encaixe de lentes é utilizado até hoje. A Leica lança a primeira câmera com foco automático.



Meados das décadas de 1960 a 1980
Em 1973, a Kodak inicia pesquisas na captura digital, com os pioneiros Brice Bayer e Steven Sansson (foto). Em 1975 o conceito é testado com sucesso. Enquanto isso, o fime imperava. A Canon lança o motordrive, que avança o filme a até 9 quadros por segundo e faz fama nos Jogos Olímpicos de Munich. A Nikon substitui a Hasselblad como fornecedor oficial de câmeras para as viagens espaciais da NASA, e permanece até hoje. A Polaroid lança a primeira câmera SLR com autofoco. A Konica coloca o conceito no mercado para as massas, em uma câmera compacta. Em 1979, A Canon lança o autofoco via infravermelho. No mercado, câmeras Reflex convivem com compactas e sistemas de médio formato, mas o filme de 35mm reina absoluto. Nos anos de 1980, a Polaroid inova com suas câmeras de revelação instantânea. A Canon lança o sistema EOS e atualiza sua linha de objetivas.



Década de 1990 em diante...
O cenário muda para a captura digital. Em 1991 a parceria entre Kodak e Nikon lança o primeiro sistema profissional de câmera digital, o DCS, que consistia em uma Nikon F3 adaptada com um sensor de 1.3 megapixel. Logo após, a Kodak lança a DC40, com o público de massa em mente. A Sony, em parceria com a Mavica, lança produtos para o mercado de consumo, gravando imagens em diskette. Em 1992, a Leaf lança o DCB, primeiro sistema digital para câmeras de médio formato. Em 1995 a Canon também adota a parceria com a Kodak. Em 2002 a Canon lança o primeiro sensor full-frame, com as dimensões do filme de 35mm. A evolução da fotografia atingiu novos patamares rapidamente, ultrapassando velozmente tudo que havia sido criado até então. Em 2007, sensores de 8 megapixels para SLR digitais alcançam a qualidade do filme de 35mm. Em 2012, sensores de 36 megapixels com o formato de 35mm alcançam a qualidade dos filmes de médio formato. Os sistemas óticos das lentes, que avançaram pouco desde 1980, começam a mostrar sinais de que precisarão evoluir para alcançar o nível de resolução dos sensores mais modernos.



O futuro
Especula-se que a convergência de tecnologias será cada vez mais intensa, com a definitiva junção de imagem, vídeo, internet e telefonia em um único aparelho, menor e mais eficiente do que os smartphones atuais. No campo profissional, as Reflex provavelmente perderão o conjunto espelho/obturador a longo prazo, resultando em equipamentos mais rápidos, robustos e leves. A óptica deve evoluir, já que os novos sensores já se mostram superiores às resoluções das lentes atuais. Acredita-se de que não haverá nova corrida por megapixels entre os equipamentos profissionais, o que levará os fabricantes a evoluir os subsistemas de seus modelos, como autofoco, fotometria, velocidade, firmwares, buffers de memória e estrutura física. Pesquisas com sensores curvados prometem resolver alguns problemas óticos clássicos, enquanto novos métodos de construção dos sensores devem trazer maior nitidez e melhor qualidade de imagem em sensibilidades elevadas. Com a junção de tecnologias, podemos prever que os sistemas de vídeo em 8K devem influenciar bastante, principalmente nos paradigmas fotográficos em um futuro próximo.