Curso Integral de Fotografia - Capítulo 005 - O Obturador

pic1

O obturador

Em qualquer câmera, o filme ou sensor que será exposta à luz fica posicionada na parte posterior, numa posição conhecida como plano focal. É ali que a imagem, após passar pelas lentes da objetiva e pelo diafragma, se torna pronta para ser registrada. Mas antes de chegar neste ponto, a luz é obstruída por uma “cortina” totalmente opaca chamada obturador. Essa “cortina” protege o filme/sensor da luz, e se abre apenas no momento do “click”, quando a luz finalmente se projeta sobre o filme/sensor para ser registrada.

O obturador possui, então, duas importantes funções:

  • Bloquear a luz que passa pela objetiva até o interior da câmera, protegendo o filme/sensor até que o botão disparador seja pressionado

  • Após pressionado o botão, permitir a passagem da luz por um período determinado.

Este período é chamado de tempo de exposição, e se baseia no tempo-padrão de 1 segundo para ser medido. A duração da exposição normalmente dura frações de segundo. Este tempo é determinado pela quantidade de luz no ambiente, pelo ajuste da abertura do diafragma, pela sensibilidade do filme/sensor e pelos resultados que o fotógrafo pretende em uma foto.

O movimento de abertura e fechamento da cortina corresponde ao tempo de exposição ajustado na câmera. Como exemplo, se configurarmos o controle do obturador em 200, o tempo de exposição à luz será de 2 centésimos de segundo. Sua escrita é 1/200s, e lê-se “um duzentos avos de segundo”.

A maioria das câmeras modernas pode movimentar o obturador a velocidades de até 1/4000s (quatro mil avos de segundo), mas algumas chegam a 1/16.000s (dezesseis mil avos de segundo). E também podem ter esse disparo efetuado de forma bastante lenta, de modo a permitir a entrada de luz por mais tempo. Atualmente as câmeras possuem o tempo de exposição mais longo situado em torno de 30 segundos, mas algumas podem chegar a 30 minutos. Nas câmeras de filme, este tempo é simplesmente indefinido, podendo durar horas.

O ajuste do tempo de exposição pode ser feito de duas formas:

• Mecanicamente, através do dial de ajuste de velocidade, normalmente localizado na parte superior do corpo de câmeras mais antigas ou modelos “retro” atuais;
• Eletronicamente, através dos controles digitais nos menus das câmeras modernas.

Quanto mais rápida a velocidade de obturação (e por consequência, menor o tempo de exposição), maior será o congelamento de movimentos na imagem. Valores menores deixam a luz sensibilizar o filme ou sensor por mais tempo, o que pode gerar borrões e tremidas na foto. Mas, em algumas situações, estes efeitos são desejados ou necessários. Tripés são muito úteis em situações de exposições mais demoradas, pois estabilizam a câmera e garantem mais nitidez.

Para ser rápido, o mecanismo do obturador precisa ser leve, e por isso, é muito frágil. Há vários tipos de cortinas, que expõem o sensor de diversas formas. Em câmeras portáteis de baixo custo, a cortina foi substituída por obturadores eletrônicos, que funcionam com se "ligassem"e "desligassem" o sensor por um tempo determinado.

As frações de tempo

Esta tabela mostra as relações entre tempo de obturação e as frações de um segundo. Cada ponto de obturação avançado deixa o disparo 2 vezes mais rápido, bloqueando a metade da luz do ponto anterior. Os tempos mais curtos (disparos mais rápidos) devem ser utilizados quando o objetivo é congelar uma ação na foto. Exemplo: 1/250s, 1/500s, 1/1000s. Já os tempos mais longos são utilizados quando há insuficiência de iluminação, ou para se conseguir efeitos de movimento (borrões) na cena. Exemplo: 1/60s, 1/30s, 1/15s.

Note que aqui também há a relação DOBRO/METADE, de maneira idêntica aos ajustes do diafragma.




As fotos acima mostram os resultados de diversos tempos de obturação em fotos de um ventilador em funcionamento. Perceba que quanto maior for o DENOMINADOR da fração, menor será o tempo de captura de luz, por conta do disparo mais rápido do obturador. Assim, mais “congelada” ficará a imagem.

Pontos intermediários na escala

A velocidade do obturador também pode ser ajustada em pontos intermediários, como a abertura de diafragma. Este ajuste fino também permite um grande controle sobre a luz. A maioria das câmeras atuais traz escalas com este “ajuste fino”, e normalmente seguem divisão em terços de ponto. Veja:



Estabilização

Quando é necessário o uso de tempos longos de exposição, é recomendável que a câmera esteja bem estabilizada para evitar borrões indesejados. O uso de tripés é altamente recomendável nestes casos. Muitas câmeras e objetivas modernas já possuem mecanismos de redução de vibração, que diminuem drasticamente os tremidos na câmera, permitindo que velocidades baixas de obturação sejam possíveis sem uso de tripé. Estes mecanismos se baseiam em micromotores que mantém o sensor ou lentes da objetiva sempre estáveis, e são de grande valia para qualquer fotógrafo. Os mais conhecidos são:

• Nikon VR (Vibration Reduction)
• Canon IS (Image Stabilizer)
• Sigma OS (Optical Stabilizer)
• Sony SteadyShot
• Tamron VC (Vibration Control)

Dicas úteis

• Considere que 1/60s é o menor tempo de obturação para garantir imagens nítidas com a câmera na mão, sem o uso de tripés ou apoios. Para tempos mais lentos, use um tripé.
• Uma pessoa andando pode ter seu movimento congelado com velocidade de 1/250s.
• Objetivas mais longas exigem tempos de exposição mais rápidos para evitar borrões na imagem. Uma boa dica é utilizar a velocidade de obturação igual ou maior do que a distância focal da objetiva. Por exemplo, se você estiver usando uma teleobjetiva de 300mm, ajuste a velocidade do obturador para 1/300s, no mínimo.