Curso Integral de Fotografia - Capítulo 006 - O ISO

O ISO (antigo “ASA”)

ISO é a sigla para “International Organization for Standardization”, que é uma instituição internacional responsável por certificações e padronizações técnicas/industriais, entre elas o comportamento de filmes e sensores fotográficos à luz. Corresponde ao antigo ASA, que define a mesma padronização, porém através de uma outra entidade, a “American Standards Association”, hoje conhecida como ANSI (American National Standards Institute).

Por tradição, o ajuste desta sensibilidade nas câmeras fotográficas ficou conhecido como “índice ISO, sensibilidade ISO ou velocidade ISO” (a sigla “ASA" não é mais utilizada). O protocolo para o comportamento da sensibilidade em câmeras digitais é definido na norma ISO 12232:2006, publicada em agosto/1996, e posteriormente revisada e republicada em 2006.

De acordo com esta escala, podemos determinar que a luz necessária para sensibilização do sensor ou filme em cada índice ISO é menor à medida que tal índice aumenta. Isso interfere diretamente em diversos fatores:


  • Quanto maior a sensibilidade, menor a qualidade da imagem. Há uma maior granulação da imagem em ISOs altos. Isso ocorre porque a movimentação de elétrons é maior em sensibilidades mais altas, gerando interferências entre as células fotoelétricas do sensor. No caso do filme, os cristais de prata (haletos) sensíveis à luz presentes no filme precisam ser maiores para captar mais fótons, o que gera imagens com menor definição. O inverso é verdadeiro.

  • Menores sensibilidades podem exigir maiores aberturas de diafragma ou maiores tempo de exposição. Isso ocorre porque a baixa sensibilidade à luz precisa ser compensada com uma captação maior de luminosidade. Por isso, ISOs baixos são tidos como “lentos”.

  • Maiores sensibilidades podem permitir menores aberturas de diafragma ou menores tempo de exposição. Isso ocorre porque a alta sensibilidade à luz permite maior controle sobre a luminosidade. Por isso, ISOs altos são tidos como como “rápidos”.


A escolha de ISOs rápidos ou lentos varia de acordo com a situação de luz do ambiente. Quanto menos luz, maior será a necessidade de sensibilidades mais altas. Isso não impede que imagens com muita luz sejam registradas com ISOs altos, ficando a decisão sempre livre para o fotógrafo.

Configurando o ISO

O ajuste do ISO nas câmeras digitais é muito versátil, onde cada foto pode ter uma configuração diferente. Na época do filme isso não era assim. Cada filme possuía a mesma sensibilidade para todo o rolo, obrigando o fotógrafo a trocar de filme caso fosse necessária a utilização de sensibilidade diferente. Isso obrigava os profisisonais a levar ao trabalho sempre duas ou três câmeras, cada uma com um filme de determinada sensibilidade (tipicamente 25, 200 e 400 ou 800)

O que determina a escolha do ISO é, primariamente, a qualidade da imagem. Tenha sempre em mente que há uma degradação crescente à medida que o ISO aumenta, que depende do modelo da câmera. O tamanho do sensor interfere diretamente nesse parâmetro, onde quanto maior a sua dimensão, melhor será a qualidade da captura, principalmente em altas sensibilidades ISO. Em segundo plano vem a quantidade de luz no ambiente, que deverá ser analizada através do fotômetro. Se uma cena exige velocidades muito lentas de obturação mesmo com o obturador aberto so máximo, será necessário aumentar o ISO até que se atinja um nível suficiente de velocidade para uma foto estável.

Pontos intermediários na escala

A sensibilidade ISO também pode ser ajustada em pontos intermediários, como a abertura de diafragma. Este ajuste fino também permite um grande controle sobre a luz. A maioria das câmeras atuais traz escalas com este “ajuste fino”, e normalmente seguem divisão em terços de ponto. Veja:



A escala ISO é padronizada e seus resultados em relação à luz devem ser idêntico em qualquer câmera. Isso significa que todas as câmeras precisam ter comportamento idênticos em determinada sensibilidade ISO, no que se refere à sensibilidade dos seus filmes ou sensores à luz. Cada avanço de ponto-padrão na escala corresponde ao aumento de um ponto de luz, dobrando a sensibilidade. Cada recuo corresponde à diminuição da sensibilidade à metade.

Algumas câmeras permitem o ajuste de meio-ponto ou terço de ponto no ISO, assim como é possível também na abertura do diafragma ou na velocidade do obturador. Isso dá ao fotógrafo muito mais versatilidade de ajustes e inúmeras combinações possíveis.

Como regra básica, prefira manter o ISO sempre em valores baixos. Preferencialmente, mantenha no chamado ISO NATIVO, que é o menor valor numérico da escala: algumas câmeras começam em 100, outras em 200. Muitos modelos possuem valores “experimentais”, não padronizados, nos limites inferiores e superiores. Alguns modelos, por exemplo, possuem a seguinte escala:

Lo1, Lo2, Lo3, 200, 400, 800, 1600, 3200, 6400, Hi1, Hi2, Hi3



Os valores “Lo” são sensibilidades experimentais mais baixas do que o menor valor ISO na escala da câmera, enquanto os “Hi” são mais altos que o maior valor da escala. Estes são valores experimentais, não certificados, que apesar de influenciarem na imagem como esperado, não correspondem ao comportamento padronizado pelas normas técnicas.

Este gráfico representa o típico aumento do nível de granulação / ruído na imagem, à medida que a sensibilidade ISO aumenta. Mas é preciso ressalvar que a curva depende de várias características ambientais ou do equipamento, como:

  • Quantidade de luz ambiente: Quanto menor a quantidade de luz ambiente, maior será a granulação, em qualquer valor ISO, e vice-versa.
  • Tamanho do sensor: Quanto menor a área de captura de luz do sensor, maior será o ruído/granulação, em qualquer valor ISO, e vice-versa.
  • Densidade de pixels: Quanto maior a densidade de pixels no sensor, maior será a granulação, em qualquer valor ISO, e vice-versa.




Importante!

Apesar da degradação inevitável da imagem em ISOs altos, muitos modelos de câmeras já conseguem produzir imagens de qualidade extremamente satisfatória nestas condições. Além disso, a qualidade dessas imagens, mesmo degradadas, ainda é muito superior aquelas feitas pelos antigos filmes químicos. Atualmente, com o avanço das novas gerações de sensores, o ISO alto deixou de ser um problema e, já que define uma estética muito específica à imagem, pode se tornar mais um recurso de expressão, tal como já eram os filmes altamente sensíveis do passado, com suas belas granulações.

Este gráfico representa a relação entre sensibilidade do sensor e necessidade de luz para registro da imagem. À medida que a sensibilidade aumenta (maiores valores ISO), cai a necessidade de de luz para registrar a cena. Isso permite o uso de diafragmas mais fechados ou velocidades de obturação mais rápidas, mas provoca o típico e natural surgimento de ruído/granulação proporcional ao aumento da sensibilidade.



Nestas imagens, para efeito didático, simulamos digitalmente o resultado de uma sensibilidade ISO alta (3200), a partir de uma imagem originalmente produzida com ISO reduzido (100), para que se perceba a granulação (ou “ruído”) resultante.

Com valores de ISO mais altos o sensor fica mais sensível à luz, permitindo o uso de velocidades de obturação mais rápidas ou diafragmas mais fechados, porém há uma “degradação” de detalhes, texturas e cores que pode não ser muito desejada, principalmente quando se precisa do maior nível possível de qualidade na imagem.

Em outras situações, como no preto-e-branco artístico, tal granulação pode funcionar como um recurso estético, bonito e bem característico. Avalie o uso que será feito da imagem e considere cuidadosamente os limites de sensibilidade que deverão ser impostos. A escolha do ISO adequado depende do propósito da foto.