Curso Integral de Fotografia - Capítulo 009 - Fotometria

O fotômetro, ou exposímetro

A luz, como uma forma de energia, pode ser medida e quantificada. Fotometria é a ação de medir a luz, e pode ser feita através de equipamentos especiais. Ajustar os três valores de uma câmera pode parecer complicado, ainda mais quando há muita variação de luz no ambiente a ser fotografado. Para que seja possível manipular corretamente os três parâmetros, é preciso medir com precisão a luz que chega ao sensor, e isso não é fácil de se fazer “no olho”. Dependemos de dispositivos especiais, muito sensíveis, para nos ajudar a fazer essa leitura. Toda câmera fotográfica possui este recurso em seu interior, das mais simples às mais profissionais. Esse dispositivo se chama fotômetro.

Há dois tipos de fotômetro:

pic1Fotômetro de luz refletida
Este tipo de fotômetro faz parte integrante das câmeras, e atua na forma de uma escala numerada que indica excesso ou insuficiência de luz. Ele age de acordo com os ajustes do diafragma, obturador e sensibilidade, determinando se a luz que passa pela objetiva será suficiente para uma boa foto. Ao contrário do fotômetro de luz incidente, ele mede a luz refletida pelos objetos. Pela sua crescente precisão com o passar do tempo e imensa facilidade de uso, pode substituir o fotômetro de mão na maioria das aplicações. Sua escala serve apenas como referência, e varia constantemente de acordo com mudanças nos ajustes da câmera ou com a luz.

Outra função importante desse dispositivo é permitir que a câmera possa trabalhar em modo automático com precisão, quando o próprio equipamento ajusta os três valores (diafragma, obturador e sensibilidade) sozinho. Isso só é possível porque a câmera usa esta informação sobre a luz para determinar a melhor combinação entre os valores, sem necessitar da interação do fotógrafo.


pic1Fotômetro de luz incidente, ou “fotômetro de mão”
São equipamentos externos, muito precisos e independentes. Muitos profissionais os utilizam em trabalhos de estúdio ou moda, onde não é possível de se medir a luz com o fotômetro interno da câmera, principalmente quando se usa flashes. Estes dispositivos medem a luz que incide sobre o motivo, dando ao fotógrafo a informação sobre a sua intensidade. A partir dessa informação, é possível ajustar a câmera corretamente. Também são bastante utilizados em cinematografia. Alguns modelos também permitem a medição da luz refletida.

Usando o fotômetro interno da câmera

Normalmente, a escala do fotômetro fica posicionada no visor ocular e também no monitor de LCD do equipamento. Alguns modelos também o trazem no painel LCD posicionado no topo da câmera. Quase sempre é formado de uma pequena escala com um “zero” na posição central. Este marco indica o “ponto ideal”, onde os parâmetros estão corretamente ajustados e o resultado será uma boa foto, em termos de iluminação.



Se a quantidade de luz for incorreta (excessiva ou insuficiente), o indicador da escala segue para a direita ou esquerda (de acordo com o modelo da câmera). Sempre há os sinais “+” e “-“ nas laterais da escala, indicando se há excesso (+) ou insuficiência (-) de de luz. A medição é feita em EV (Exposure Value), e cada passo indica um terço de ponto de luz acima ou abaixo da marca central.

O ponto central (“0”) indica que os ajustes selecionados de abertura, exposição e sensibilidade são adequados para a iluminação presente na cena, e a foto resultante ficará com boa luz. Se a seta se mover para o sinal “-“, será necessário aumentar a quantidade de luz a ser registrada. Neste caso, você deverá executar UMA das seguintes ações, ou combinações recíprocas entre elas:

- Abrir o diafragma
- Aumentar o tempo de exposição
- Aumentar a sensibilidade


Se a seta se mover para o sinal “+“, será necessário diminuirá quantidade de luz a ser registrada. Neste caso, você deverá executar UMA das seguintes ações, ou combinações recíprocas entre elas:

- Fechar o diafragma
- Diminuir o tempo de exposição
- Diminuir a sensibilidade


À medida que você atua sobre os três ajustes, utilizando as regras da Lei da Reciprocidade, a escala do diafragma mostrará uma nova situação de medição. O objetivo será chegar ao “ponto central”. É importante notar que as posições dos sinais “+” e “-“ podem estar invertidas em algumas câmeras, e que certos modelos permitem que você escolha a configuração que lhe parecer mais apropriada.

Para chegar ao ponto central, qual parâmetro devo ajustar primeiro?
Isso dependerá do objetivo visual que deseja alcançar, ou das prioridades que você tem para com a imagem que vai capturar. Além de simplesmente aumentar ou reduzir a quantidade de luz registrada, cada um dos três parâmetros deixa suas consequências na imagem. Lembre-se que:

• Diafragma: Influencia na profundidade de campo
• Obturador: Influencia no congelamento dos movimentos
• Sensibilidade: Influencia no nível de detalhes (granulação)


Precisão do fotômetro

A sensibilidade do fotômetro é precisa o suficiente para detectar mínimas variações de luz. Sua escala é quase sempre é dividida em TERÇOS DE PONTO, permitindo uma leitura muito precisa. Veja no gráfico abaixo a forma como essa leitura se apresenta. Perceba que, entre cada indicador de “ponto cheio” (traços maiores), há dois indicadores de “terço de ponto” (traços menores). A barra situada abaixo dos traços se move de acordo com a variação de luz, dando ao fotógrafo uma grande possibilidade de leitura.


O funcionamento desta escala está totalmente ligado aos ajustes de diafragma, obturador e sensibilidade. Qualquer mudança em um destes três itens corresponderá à uma nova indicação na escala. Pequenas variações na luz da cena, ou mudanças no posicionamento da câmera, também provocarão movimentações do indicador.

Modos de fotometria

A leitura da luz pelo fotômetro é automática e instantânea, bastando apontar a câmera para o motivo, mas é possível (e muito útil) modificar a área que a câmera utilizará para medição. Há várias formas de medição, que variam entre os fabricantes, mas 3 tipos estão sempre presentes em todos os modelos:

Pontual ou Spot


Esta leitura mede apenas a luz do ponto central do visor, sendo muito útil para medir áreas isoladas da cena. É muito utilizada na fotografia avançada, pois permite ao fotógrafo uma grande liberdade na escolha do ponto da imagem que será medido. Porém, exige um tempo maior na análise da luz pelo fotógrafo, não sendo muito indicado para situações que exigem decisão rápida. Podemos considerar que este modo atua de maneira “manual”.


Ponderado Central


Esta leitura também lê a luz presente na parte central do visor, mas abrangendo uma área maior, em torno de 30% do tamanho do visor. Como capta a luz de uma área maior da cena, que podem trazer sombras e brilhos diferentes, este modo trabalha com médias de valores mais amplos e dá mais agilidade ao processo de decisão. Podemos considerar que este modo atua de maneira “semi-automática”.

Matricial, Avaliativo ou Média


Esta leitura considera o total de luz em praticamente toda a imagem presente no sensor, indicando uma média geral. Pontos muito escuros ou muito claros podem ficar excessivos, mas geralmente esta leitura oferece um bom parâmetro. Pode ser utilizada em situações rápidas, onde o disparo é crítico e não há muito tempo para determinar uma exposição mais rebuscada. Situações de grande variação de luz na mesma cena podem trazer estouros ou sombras muito excessivas. Podemos considerar que este modo atua de maneira “automática”.

Exemplos de fotometria

O uso de cada modo de medição depende do tipo iluminação da cena ou da situação em que o fotógrafo se encontra. Medições em modo Pontual oferecem mais controle sobre o registro da luz, dando ao fotógrafo mais parâmetros para sua decisão, já que cada ponto da imagem pode ser medido e analisado. Por outro lado, exige um grande conhecimento da luz e dos resultados. Os outros modos oferecem recursos rápidos e mais automatizados, mas algumas áreas da cena (principalmente aquelas com muitos brilhos ou sombras excessivas) podem ficar “estouradas” ou demasiadamente escuras. A fotometria correta no modo Pontual sempre exige um conhecimento apropriado do fotógrafo, tanto das características da câmera que usa, quanto da luz que pretende registrar, além do resultado que se pretende obter. Inúmeros efeitos podem ser conseguidos pela simples análise da luz.

Exemplo de fotometria em modo Pontual:



O círculo vermelho indica o ponto utilizado para a medição final. O centro do visor foi apontado para esta área da paisagem e, com a ajuda do fotômetro, o diafragma, a velocidade e a sensibilidade foram ajustados para que o indicador de fotometria chegasse ao “zero” da escal. O ponto “A”, que tinha mais luz, ficou levemente superexposto. O ponto “B”, que estava em área de sombra, ficou registrado como uma silhueta escura, por não ter luz suficiente para ser registrada com os ajustes efetuados. O ponto “C”, que possuía intensidade luminosa idêntica ao ponto marcado em vermelho, ficou perfeitamente exposto. O uso de uma medição “Matricial” ou “Avaliativa” nesta cena certamente geraria conflitos entre céu e montanhas, pois as variações de luz são muito intensas. Provavelmente os detalhes das montanhas seriam visíveis, enquanto o céu e o mar ao fundo ficariam superexpostos, talvez totalmente brancos.

Exemplo de fotometria em modo Matricial:



Neste caso, a condição de luz era totalmente diferente e o fotômetro conseguiu indicar um ajuste de velocidade e abertura suficientes para registrar todos os detalhes da cena. Foi usado o modo Matricial, com ajustes que faziam uma média entre altas e baixas luzes da imagem. Como resultado, a cena ficou equilibrada no que se refere á luz, principalmente porque não havia grande variação de luminosidade entre os diversos pontos.

Quando a câmera é ajustada para modos automáticos, as câmeras geralmente usam o modo Matricial. O objetivo é permitir um maior acerto em diversas cenas, mas a criatividade e controle do fotógrafo ficam limitados. Sempre há o modo certo para cada luz, e cabe ao fotógrafo analisar a condição da luz e tomar as decisões. O “ponto central” nem sempre representa o ideal, pois a câmera não sabe o que há na mente de quem a controla. Mas, para atingir um bom nível de análise da luz, é necessário experimentar e procurar conhecer as diversas situações de luz e os resultados obtidos com os ajustes de abertura, velocidade e sensibilidade.

O ponto mais importante quanto à fotometria diz respeito à condição variável da luz: Ela muda a cada segundo. Em ambientes fechados, sombras e reflexos produzidos por qualquer fonte de luz influenciam na medição. Em ambientes abertos, cada horário possui uma luz própria. Até mesmo uma nuvem passando pelo céu altera a quantidade de luz incidente. Portanto, meça sempre a luz a cada foto e tire total proveito da versatilidade do fotômetro.

Importante: Em muitas câmeras, o ponto (ou região) da medição de luz será o mesmo ponto escolhido para focalização (Veja o capitulo “O FOCO”)

Os modos de funcionamento da câmera

Uma câmera fotográfica precisa ter diversos parâmetros ajustados para capturar corretamente uma imagem. Alguns destes parâmetros (certamente os mais importantes) estão ligados diretamente ao controle da luz, determinando a forma como a câmera vai agir de acordo com a quantidade de luz ambiente. Para facilitar o uso dos equipamentos, os fabricantes criaram meios de automatizar este processo, deixando todo o controle sobre a imagem por conta de inúmeros recursos eletrônicos. Mas estes recursos de automação também podem ser desligados, fazendo com que o controle sobre a imagem retorne ao fotógrafo, aumentando as possibilidades criativas. Estes dois modos distintos são o Modo Automático e o Modo Manual. Há ainda modos semi-automáticos, que automatizam processos mas ainda deixam algum controle nas mãos do fotógrafo.

Na parte superior de uma câmera fotográfica há o disco de seleção de modo, onde podemos definir a maneira como queremos interagir com o equipamento, ou como ele interagirá com a cena. Os ajustes comumente disponíveis são:



Apesar de práticos, os modos automáticos anulam grande parte das possibilidades criativas. O fotógrafo passa a trabalhar sob condições padronizadas, com pouco controle sobre a luz. Nos modos M, A (ou Av) e S (ou Tv) o controle criativo se fortalece e a captura da luz atinge um novo patamar, principalmente no modo M (totalmente manual), o modo ideal quando se deseja o máximo controle sobre a luz.

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Compensação de exposição

Em determinadas situações se faz necessário o ajuste fino do fotômetro para evitar leituras incorretas, principalmente em condições de luz excessivas (como fortes reflexos em areia de praia, neve ou nuvens) ou insuficientes, como áreas extensas de sombras. Este ajuste se dá através da compensação de exposição, que é a alteração de um índice, medido em EV, que atua sobre a maneira como o fotômetro define a posição central da sua escala, modificando sua faixa de sensibilidade. Funciona como uma calibragem manual do sistema de medição de luz da câmera.

Dependendo do modelo da câmera, é possível ajustar o fotômetro na faixa compreendida entre -5EV a +5EV. De certa forma, este procedimento torna a sensibilidade do fotômetro à luz “maior ou menor”, o que influencia diretamente na maneira como a câmera será ajustada. Ele também pode ser utilizado para interagir com a câmera nos modos automáticos (mesmo que primariamente), sendo possível clarear ou escurecer a foto, trazendo ao fotógrafo uma condição mínima de controle criativo.

Valor de compensação = 0EV
Este é o valor original, calibrado para medição equilibrada das luzes, sendo funcional e efetivo na quase totalidade das situações de iluminação. A fotometria correta é indicada no ponto central da escala.



Valores de compensação positivos (acima de 0EV)
Estes valores “aumentam a sensibilidade” do fotômetro, que passará a indicar leituras que tornarão a fotografia mais clara. É útil quando se precisa de imagens mais iluminadas, porém há o risco do tempo de obturação ficar longo a ponto de borrar os movimentos. O ponto central da escala continuará simbolicamente no “0”, mas internamente os valores efetivos de medição serão alterados. Nos exemplos: Compensação de +2/3 EV (as fotos ficarão 2/3 de ponto mais claras) e +2EV (as fotos ficarão 2 pontos mais claras), respectivamente.




Valores de compensação negativos (abaixo de 0EV)
Com estes valores, “diminui-se a sensibilidade” do fotômetro, e a tendência é que ele indique leituras que tornam a fotografia mais escura (diafragmas mais fechados ou tempos menores de obturação). É útil quando a cena apresenta excessos de reflexão de luz (areia, neve), situações que podem fazer com que as leituras de fotometria fiquem incorretas. O ponto central da escala continuará simbolicamente no “0”, mas internamente os valores efetivos de medição serão alterados. Nos exemplos: Compensação de -1/3 EV (as fotos ficarão 1/3 de ponto mais escuras) e 1.1/3EV (as fotos ficarão 1.1/3 de ponto mais escuras).