Curso Integral de Fotografia - Composição - Capítulo 004 - As Linhas #2

Ligue tudo e crie formas


Uma horizontal vai dos olhos do garoto(A) ao monitor, e uma vertical desce até o topo da mesa (B), onde encontramos o teclado e a borda diagonal da mesa, que nos leva de volta aos olhos (c) e completa a leitura da cena. Esta triangulação é um sujeito ativo e vital na imagem, mesmo sendo totalmente subjetivo. Com este ‘ truque’, garantimos que todas as informações sejam vistas e absorvidas pelo receptor, que pode finalmente interpretar a cena.

Esta é uma das mais importantes funções das linhas de força diagonais, evidenciar um caminho para o olhar do receptor conectando elementos distintos na imagem. Fique sempre atento às conexões da cena e busque o enquadramento que as valorize como diagonais!
Perceba que uma pequena alteração no seu posicionamento às vezes é tudo que se precisa para fazer a grande diferença na foto. Busque o ângulo de visão que inclua na cena as áreas de real interesse, deixando de fora aquelas que distraiam a atenção ou que não tenham nada a acrescentar à ideia proposta.

Senso de profundidade


Um grande recurso das diagonais é o senso de profundidade, que permite a análise de distâncias através de dados tridimensionais. Nestes casos, as diagonais estão ligadas à perspectiva, e não apenas a um caminho linear bidimensional. Este efeito é melhor realizado com o uso de objetivas curtas (angulares e grandes angulares), pois conseguem evidenciar a perspectiva, além de possuírem elevada profundidade de campo.
O bom uso deste recurso faz com que a fotografia assuma um aspecto tridimensional, ampliando as possibilidades de comunicação. Uma composição que use este recurso pode conter elementos de expressão em vários planos diferentes. O único cuidado é com o excesso de informação, pois vários elementos conflitantes, em diversos planos, podem fazer com que a imagem fique caótica e desinteressante. Uma boa saída é utilizar fundos neutros, sem detalhes visuais complexos, ou com cores que não se sobressaiam às cores dos elementos principais. Áreas de muita diferença de contraste no fundo também devem ser eliminadas, principalmente se foram luminosas.

No caso da imagem ao lado, a estrada de terra, no canto superior esquerdo, dá ao receptor uma medida conhecida para que defina a escala de tamanho e distância. Sua presença na imagem é importante, pois é o elemento quetraz a real medida da altura em que os escaladores se encontram. Note que todas as linhas e pontos de interesse levam à esta estrada, que deve ser a última referência a ser identificada pelo receptor.

Linhas: como ser criativo?


É mais fácil encontrar as linhas nas cenas do que fazer algo interessante com elas. Aqui estão alguns truques para você aplicar sempre. Não saia de casa sem eles!


1 - Localize na imagem pontos de interesse que possam ser conectados através de linhas objetivas ou subjetivas.
Use estes pontos como atrativos para formar caminhos curvos que guiem o olhar por toda a cena, ou pelo menos pelas áreas mais importantes, sempre combinando verticais, horizontais e diagonais. Os diagramas ao lado trazem alguns exemplos de conexões e caminhos que podem ser criados. Considere o ponto A como o início da leitura visual, e o ponto D como sua finalização. Os pontos B e C seriam áreas de interesse que atrairiam o olhar, forçando o receptor a percorrer grandes áreas na imagem.

2 - Quando estiver definindo o caminho do olhar, evite criar diagonais diretas ligando o ponto inicial ao final. Faça com que o caminho a ser percorrido seja curvo, suave e amplo. Lembre-se que uma imagem criativa é como um texto: quanto mais completa for a leitura, mais fácil será a interpretação.

3 - Busque elementos na imagem que reforcem as idéias das linhas. Árvores, pessoas e prédios são excelentes representantes das verticais, enquanto a linha do horizonte, a superfície da água, bancos de praça e estradas funcionam bem para as horizontais.

4 - Um dos mais importantes recursos da composição criativa é o uso de informação subjetiva, formada por elementos que não precisam estar explicitamente ou graficamente visíveis para serem percebidos. Uma simples nuvem acima do horizonte, por exemplo, pode representar uma linha horizontal, pois nosso subconsciente conhece sua trajetória no céu. A ligação entre elementos destacados também forma linhas subjetivas na imagem (invisíveis, mas perceptíveis) em maior ou menor grau.

5 - Pense em 3D. Procure por formas que se interligam no espaço tridimensional, usando elementos dispostos em planos diferentes.Crie linhas que unam elementos do primeiro ao úlimo plano. Sua fotografia ficará muito mais surpreendente e interessante e sairá daquele ‘padrão visual’ imposto pela tradicional composição bidimensional.

Estabilidade e instabilidade


As linhas podem criar outro senso interessante, dando à imagem (ou partes dela) um teor de estabilidade ou instabilidade através da leve inclinação das verticais e horizontais. As linhas diagonais são, por natureza, sempre instáveis. Por vezes, uma linha vertical ou horizontal inclinada não chega a se configurar como diagonal, se este não for seu contexto na imagem. Nestes casos, a cena passa ao receptor uma sensação de desequilíbrio ou falta de balanço. Ao enquadrar a cena, você deve ficar atento à disposição das linhas e suas relações com outros pontos.

Visualize a imagem como um todo

Um truque é sempre visualizar a imagem como um todo, procurando por áreas que se beneficiariam de estabilidade ou instabilidade. O tema geral da foto também precisa dessa análise e cuidado, pois a idéia básica expressa pela imagem pode ser prejudicada pela aplicação pouco elaborada (ou deficiente) da estabilidade ou instabilidade. Temas sóbrio e diretos normalmente pedem estabilidade, gerando certeza e objetividade, enquanto mensagens mais subjetivas, críticas ou subliminares carecem de instabilidades que possam levar o receptor à dúvida, questionamento e interpretação. A instabilidade também pode levar ao aumento de dinamismo e ação, da mesma forma que as diagonais, porém com menor intensidade. Ao contrário, linhas estáveis conferem equilíbrio e inércia.

Na foto desta página podemos verificar a aplicação de uma vertical instável. Apesar do troco em diagonal, toda a cena se posiciona na vertical. A pendência da imagem para a direita gera instabilidade, que acentua ainda mais a sensação de precariedade do equilíbrio da ave. Se a foto fosse feita em um ângulo que deixasse o tronco menos inclinado, a cena traria uma idéia de estabilidade muito mais intensa, que automaticamente alteraria a nossa percepção de equilíbrio da ave.


Estruturando as linhas

Temos aqui uma série de exemplos de estruturas estáveis (A) e instáveis (B). Em uma mesma foto você pode combinar diversos tipos de linhas, mas é preciso que estejam em acordo com a mensagem que a cena procura transmitir. De forma geral, lembre-se de que linhas estáveis trazem equilíbrio e conforto, e linhas instáveis fazem o contrário. Usando estruturas combinadas você pode expressar situações distintas em áreas diferentes da imagem, complementando e enriquecendo a mensagem a ser transmitida.

Truques


O uso de objetivas curtas facilita a inserção de linhas instáveis, já que deformam naturalmente o campo de visão em um formato circular, parecido com um barril. Faça uso também de linhas naturais na cena (árvores, postes, pessoas, etc) que já estejam inclinadas, aproveitando-as no contexto da cena, caso precise de instabilidade em algumas áreas. E muito importante: não confunda linhas diagonais com verticais ou horizontais instáveis.