Curso Integral de Fotografia - Composição - Capítulo 005 - Formas

As Formas


As formas definem os conteúdos reconhecíveis da imagem, sejam eles explícitos ou não. As mais atrativas composições utilizam as formas dos elementos retratados ou as linhas formadas entre estes elementos como blocos de construção da imagem. Lembre-se sempre que os elementos gráficos não precisam ser explicitamente visíveis na imagem. Como exemplo, podemos ter um objeto de forma triangular como sujeito da imagem, mas também podemos ter uma estrutura visual formada por linhas de conexão (ligando vários objetos) em formato triangular como sujeito da imagem. O receptor sempre verá o triângulo, seja ele explicitamente visível ou algo que apenas transmita a idéia de um triângulo.

Linhas diagonais que resultem em triângulos ou círculos sempre são muito atrativas, mas outras estruturas podem ser utilizadas na composição. Pense sempre na conexão entre os elementos (sujeitos) da sua imagem, de forma a uní-los em uma estrutura interessante e geométrica. Isto acabará por se tornar também um "sujeito", embora oculto. O receptor se sentirá atraído pela imagem, embora não saiba exatamente porquê.

Atraia a atenção


Um grande e eficiente truque para compor cenas cativantres é utilizar duas das formas mais atrativas para a nossa percepção: círculos e a própria figura humana. Nossa atenção é fortemente desviada para estas duas formas. Procure colocá-las nos pontos de interesse da imagem, seja como objetivo final ou como ponto de ligação. Tenha cuidado com a figura humana, pois seu peso é grande em nossa ‘ordem de interesses visuais’. Toda cautela é necessária quando inserir pessoas em fotos onde o ponto principal não seja a figura humana. É vital evitar o conflito visual entre formas atrativas, portanto, sempre faça uso das linhas de força para ‘orientar’ o receptor quanto à forma correta de ‘passear’ pela imagem.

Círculos


Quando o objetivo é surpreender a nossa percepção visual, esta é uma das mais formas mais interessantes e polivalentes. Procure inserir elementos circulares nas áreas de interesse, ‘puxando’ a atenção do receptor para pontos específicos da imagem. Olhos são especialmente adequados para isso, principalmente em fotografia de animais.

Você pode também aproveitar as circunferências para quebrar a rigidez em imagens muito geométricas, trazendo equilíbrio ou criando contraste à cena. Isso funciona muito bem em fotografia de arquitetura, viagens ou paisagens urbanas. Se a imagem já é dominada por círculos, posicione-os de forma a criarem espirais ou linhas de conexão curvadas, o que criará ondas ‘hipnóticas’ no caminho do olhar. Nas fotos acima, veja como a curvatura das pétalas parece nos levar ao centro da flor, enquanto a simetria entre pernas e percoços dos cavalos cria um agradável semi-círculo que parece trazer equilíbrio à cena.

Triângulos


Já sabemos que verticais e diagonais são uma grandes ferramentas composicionais: expressam força e permitem a criação de interessantes caminhos para o olhar. Já que triângulos possuem pelo menos uma diagonal e uma vertical, fica fácil entender a sua importância! Quando há duas diagonais então, tudo se multiplica. Sabendo disso, você pode buscar composições onde triangulos estejam presentes para garantir força, expressão e criatividade à cena.

Porquê triângulos funcionam?


Os vértices do triângulo dão a firme idéia de ligação, que pode ser utilizada como um meio de promover integridade entre vários elementos. Triângulos isósceles, equiláteros e acutângulos também traduzem firmeza, segurança e força de maneira paradoxal, pois sempre haverá duas linhas diagonais (altamente ativas) sustentadas por uma base horizontal (passiva).

O espaço negativo


O espaço negativo consiste em amplas áreas que, por não possuírem dados visuais relevantes, ajudam a concentrar a atenção do receptor nas partes de interesse da imagem (também chamadas de ‘espaço positivo’). Você deve aproveitar áreas neutras da imagem para destacar o elemento principal, sempre atento para não trazer conflito com o restante da cena. Espaços negativos não precisam ser totalmente inertes, e podem possuir alguma informação visual que complemente a cena.

Na imagem ao lado, o interior mal iluminado da casa e uma janela aberta serviram para destacar a bela luz do sol no exterior. As casas, cujas paredes brancas refletiam a luz alaranjada do sol de fim de tarde, ganharam destaque mesmo ocupando apenas uma pequena porção da foto.

Fique atento...


Evite dar tamanhos iguais para áreas negativas e positivas. Use a Regra dos Terços para definir a melhor divisão da imagem. Em muitos casos o drama e o impacto visual melhoram quando o espaço negativo ocupa uma área maior da imagem. Pense no espaço negativo como um descanso para os olhos.

Evite fazer com que o principal objeto de interesse da foto guie o receptor para fora da imagem, principalmente em fotos de pessoas. Oriente a posição da cabeça e olhos para ‘dentro’ da cena.

Cuidado com texturas!


Tome muito cuidado com a textura de fundo da imagem. Evite gerar confusão visual entre áreas negativas e positivas usando estrategicamente os desfoques para diminuir o interesse em certos pontos da imagem e as linhas para conduzir o olhar. Lembre-se que cores e contrastres podem dispersar a atenção, criandos distrações visuais que duelarão com o ponto de interesse da imagem, diminuindo a força da composição. Seja cuidadoso com a textura dos espaços negativos.

Apesar disso, saiba que os espaços negativos também podem trazer informação visual, desde que trabalhem em conjunto com o objeto de interesse da cena. Não há a necessidade de utilizar apenas brancos ou pretos profundos para criar um espaço negativo. Como sempre, a reposta estará na própria cena à sua frente. Analise-a com cuidado e oriente sua imagem buscando sempre equilíbrio, harmonia e bom gosto.
Na foto desta página o imenso e profundo céu da região de Resende/RJ serviu bem ao propósito de criar um espaço negativo que aumentasse a importância do objeto principal da imagem, o ciclista. A escolha por um posicionamento próximo ao chão criou a sensação de um plano ascendente que também enfatiza a importância da extensa área neutra, transformando o espaço negativo em um elemento de grande relevância na cena.

Silhuetas


Uma forma interessante de usar os espaços negativos é através das silhuetas, também chamadas de ‘contra-luz’. Apesar de necessitarem de cuidado especial na sua composição para não caírem no lugar-comum dos clichês fotográficos, as silhuetas podem resultar em imagens de grande impacto visual.

Aproveite-se de cenas com forte iluminação por trás do primeiro plano e faça a fotometria nas áreas mais intensas de luz. Procure for formas que sejam facilmente reconhecíveis apenas pelo seu contorno, e tente inserí-las na imagem de forma que se harmonizem com o restante. Evite fundos muito detalhados e confusos. Lembre-se que silhuetas atraem para si a maior parte da atenção do receptor, portanto deverão ser, na maioria dos casos, o principal - senão o único - ponto de interesse da imagem.

Seja autêntico e fuja dos clichês


Para fugir do clichê fotográfico, seja criativo no enquadramento, buscando posicionamentos pouco usuais. Procure por ângulos inesperados, criando surpresas visuais. Quando possível, crie relacionamentos entre a silhueta e as áreas positivas, ligando-as através das linhas de força.

Evite usar formas que o receptor não reconheça. Uma silhueta tem por característica o minimalismo, onde o mínimo de informação é fornecida. Assim, a imagem deve permitir a identificação dos temas somente pelo seus contornos.

Ao registrar silhuetas, certifique-se de que a câmera não esteja operando em algum modo automático ou semi-automático (os modos Speed Priority (SP) e Aperture Priority (A) também não ajudam muito aqui) , pois haverá a forte tendência do equipamento tentar iluminar a cena por inteiro, usando até mesmo o flash. Use o modo manual e fique atento às leituras do fotômetro. Reduzir um ou dois terços de ponto após feita a fotometria também ajuda a manter um bom nível de ’pretos’ nas áreas escuras.

Figura humana


A forma humana parece possuir um grande magnetismo visual, conseguindo atrair o olhar de maneira irresistível mesmo quando a imagem traz outros elementos de grande interesse. Use este recurso como o artifício definitivo em inúmeras situações, principalmente naquelas em que poucas pessoas são enquadradas na cena. Combine o posicionamento das pessoas com algumas linhas de força, criando um caminho que, na maioria dos casos, deverá culminar justamente na posição em que se encontram. Ao fotografar em close, não centralize os olhos. Procure posicioná-los em um dos terços externos do enquadramento, e tenha sempre em mente que este será o ponto de maior empatia com o receptor.

Não force a barra em retratos!


Evite situações forçadas. As melhores fotos de pessoas são aquelas mais espontâneas e soltas. Tente passar à pessoa fotografada confiança e desenvoltura. Um grande truque de retratistas e fotógrafos documentais é manter uma relação de cumplicidade e simpatia com o modelo, que não deve se sentir oprimida pela câmera. Outro grande e conhecido truque é fotografar crianças sempre posicionando a câmera na linha dos seus olhos. Não as fotografe de cima para baixo, pois o resultado será uma imagem que diominui a importância do motivo.