Curso Integral de Fotografia - Composição - Capítulo 011- Dinâmica

Apesar de uma fotografia ser, em essência, a ´´representação gráfica de um momento congelado no tempo e espaço’´´, não é preciso que ela seja sempre estática. O desafio da dinâmica visual está em não só em conferir movimento ao espaço bidimensional de uma foto, mas também em provocar o fluxo de idéias. A expressão através de sinais e conceitos é o meio, levando à interpretação, que é o objetivo. Isso depende de uma organização coordenada de idéias e sinais, como em um texto, de forma que tudo se apresente ao receptor de forma compreensível e fluida.

A dinâmica cuida disso. A ordenação das idéias na imagem conduz o olhar como uma piscina de ondulações ritmadas, às vezes fortes, às vezes suaves, num fluxo contínuo e coerente de representações.

Ritmo visual


O ritmo visual é uma das maiores ferramentas para quebrar a dureza fria e simplista do espaço bidimensional. Valendo-se de texturas, repetições, padrões e, por vezes, suas eventuais quebras, podemos criar movimento que se combina às idéias presentes na imagem. O ritmo de idéias também se define na dinâmica, através da inclusão de elementos conceituais, com significados além dos signos gráficos.

Tudo isso envia sensações diferentes ao receptor e ultrapassa os típicos limites puramente visuais de uma fotografia.
Quando se trata de dinâmica, os significados das ferramentas podem ser diretos ou indiretos, físicos ou subjetivos, como veremos adiante. Tenha em mente que nem sempre a dinâmica estará ligada à simples representação do espaço e suas manifestações físicas. Uma imagem pode ter dinamismo em seu conteúdo conceitual ou nas conexões invisíveis (porém, perceptíves) entre seus elementos.

Movimento


O movimento em uma imagem tem vários significados. Pode representar uma simulação de movimento físico, como borrões; pode indicar o andamento de alguma ação no tempo e pode até mesmo criar o fluxo de idéias e conceitos ordenados. Na fotografia não temos o movimento apenas como uma representação gráfica de uma interação física, ele vai muito além disso.

Vamos analisar a foto ao lado. Trata-se de uma longa exposição (1 segundo) de uma árvore enfeitada com luzes de Natal. A câmera foi posta em um tripé e virada para a direita durante a exposição ,criando efeito de borrão.

Graficamente, temos o fluxo horizontal de luzes e cores, que certamente traz ritmo à cena e leva o olhar à seguí-lo. Há ainda uma padronagem entre vermelhos e verdes, nos levando a imaginar se não haveria uma possível repetição precisa. Se pensarmos apenas no contexto visual, isso é dinâmica de movimento, tanto pelo registro do real movimento físico das luzes quanto pelo andamento na leitura visual da imagem. Mas há muito mais além disso. Veja como duas idéias maiores são expressas na imagem:

- As luzes parecem voar em alta velocidade, formando um turbilhão vertiginoso e circular, como se um furioso furacão estivesse varrendo a imagem.

- As cores das luzes nos remetem ao Natal, que por sua vez traz uma vertente de pensamentos e lembranças, principalmente familiares..

Tudo junto agora


Combinando estas duas referências, podemos interpretar a cena como um registro simbólico do tempo que passa rápido e o nosso risco de perdê-lo facilmente sem aproveitar as boas coisas da vida (como as festas natalinas em família, por exemplo). Temos novamente o movimento sendo representado, mas desta vez de forma totalmente subjetiva e integralmente conceitual.

Perceba como o movimento foi utilizado de várias maneiras distintas nesta foto, tanto graficamente como conceitualmente. Mas no final, todas as representações estão conectadas na expressão de uma única mensagem: o tempo passa rápido e podemos não estar aproveitando-o como deveríamos. Esta é a comunicação final, que não existiria sem a dinâmica dos componentes primários da imagem (grafismo e idéia) , que trabalham juntos para a obtenção de um único resultado.

Ritmo


Este não é um conceito fácil de ser explicado, embora seja facilmente perceptível nas fotografias onde está presente. Talvez a maneira mais fácil de exemplificar «ritmo» em uma imagem seja pensar em um mar com ondas médias, que quebram na areia em momentos intervalados, e nestas ondas, barcos sobem e descem num movimento quase hipnótico. Ou no vento que sacode as plantas na encosta de uma montanha, formando uma suave ondulação nas folhas. Na fotografia, o ritmo leva o olhar em pulsos que vão e vem, nos fazendo percorrer com graça toda a imagem enquanto absorvemos os seus detalhes. Ou ainda, com vigor e impulso, mas nunca em caminho direto, reto e insensível.

Ritmo gera dinâmica


Movimento e dinâmica são alcançados com o ritmo. Algumas vezes isso é conseguido simplesmente pela repetição de grafismos, outras vezes pela forma como as idéias fluem pela imagem, ou ainda pela relação entre grupos de elementos. Não é necessário seguir uma padronagem, e sim uma condução da informação de maneira cíclica e interessante.


Textura


Já percebemos que uma boa fotografia não é apenas a simples representação de um momento no tempo e espaço. Há também a expressão de inúmeros valores, tanto objetivos quanto subjetivos. Através da textura, podemos dar ao receptor uma sensação quase táctil, de natureza puramente física . Com este recurso podemos também fortalecer o ritmo, aplicando sequências de texturas de maneira que aprimorem o fluxo de idéias pela imagem.

A textura se forma através da repetição de pequenos padrões gráficos, ordenados ou não. Estes padrões estão em todos os motivos, naturais ou sintéticos. Sua aplicação traz riqueza visual e aguça a curiosidade, tornando a cena mais atrativa. Como temos uma predisposição natural para notar e avaliar formas organizadas e arrumadas, podemos usar os padrões repetidos como um eficiente elemento de atração.

Com texturas, podemos complementar os efeitos provocados pelas cores e formas, fazendo com que o receptor possa perceber sensações tácteis, como suavidade, aspereza, maciez, dureza, viscosidade.

É sempre interessante transferir sensações do mundo real para a fotografia, aumentando a gama de informações recebidas por quem a vê. As sensações do toque são inerentemente físicas, e como são percebidas pelo receptor, podemos alcançar uma preciosa combinação que mescla sentidos práticos e conceituais. Atuando juntos, há uma transmissão mais eficiente do sentido da cena.

Aproveitando melhor as texturas


Para fazer o melhor proveito de texturas, esteja atento a estes pontos:

- Seja criativo. Combine texturas diferentes criando relações entre elas.

- Preocupe-se com a nitidez. Em texturas delicadas e complexas, a nitidez da imagem é importante. Mantenha suas objetivas limpas e posicione a câmera com firmeza. Se preciso, use um tripé para garantir que nada saia borrado. Use diafragmas mais fechados para aumentar a profundidade de campo.

- Combine as texturas com linhas e formas. Misturando estes elementos de composição você criará unidade na cena e conseguirá uma mensagem mais clara com um repertório mais poderoso de informações.

- Procure enquadramentos que valorizem as texturas. Não as subestime!

- Há texturas tanto em visões amplas e angulares quanto em macro fotografias. Uma concentração de prédios fotografada à distância é um tipo de textura, assim como folhas em uma árvore ou gotas de orvalho em uma folha. Fique atento!