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Felicidade é pouco. Nesta bem humorada entrevista, concedida ao site www.pedal.com.br, o criador da Vento Blu, Hudson Malta, conta detalhes desta fascinante vitória!

Pedal: Hudson, como você ficou sabendo do Bora Art Contest?

Hudson Malta: Foi através do fórum do site www.pedal.com.br, do qual sou membro. Estava lendo alguns posts, em agosto de 2007, quando vi um post de outro associado, o Marino. Ele nos informava sobre o evento, e logo resolvi desenhar algo. Lembro que pensei algo assim: "Bem, não há o que perder. Não custa tentar." Imediatamente, abrI o Corel Draw e comecei a traçar a Vento Blu.

 

Deu muito trabalho?

Na verdade, não. Usei recursos muito básicos do Corel Draw, e a confecção foi rápida. O curioso é que, na minha cabeça, já haviam idéias surgindo logo assim que li o post. Foi algo meio instantâneo. Tinha uma coisa que não saía da minha cabeça: o design da roda Ghibli, também da Campagnolo. Ela é muito bonita quando está girando, tem um desenho quase hipnótico. Eu queria desenhar algo que ficasse bonito girando, também...queria rivalizar com a Ghibli! (risos) Quanta pretensão! (risos)

 

Vendo o making-of (clique aqui), parece que você pensou bastante antes de desenhar. Como foi isso?

Não pensei muito, não. Aqueles conceitos foram surgindo à medida que desenhava. Quando vinha um conceito na mente, logo eu tentava passar para o desenho. Não houve planejamento, foi um desenho intuitivo, ali, na hora mesmo. Direto no mouse, sem rascunho nem borracha! (mais risos) Eu não queria fazer um desenho só por fazer, precisava agregar mensagens nele. Se pensasse demais, tiraria a emoção! (risos)

 

Também fica fácil perceber que há algo diferente na Vento Blu em relação aos designs concorrentes...

Isso acontece porque  fiz um grafismo mais comercial que os outros. Como eu sabia que a intenção da Campagnolo era vender este equipamento como um modelo comemorativo, decidi desenhar algo que fosse confeccionável e vendável, que não ficasse caro para ser reproduzido e que despertasse a vontade de compra do consumidor. Os outros desenhos são belíssimas obras de arte, mas não são comerciais.


Qual é a sua ligação com design?

Toda minha família possui dotes artísticos. Acho que é tradição de sangue mesmo... Sempre fomos desenhistas. pintores, músicos, artesãos... criadores, enfim. Gosto muito de comunicação pela imagem e som, acho fantástica a passagem de uma idéia através de cores, formas e timbres. Praticamente, design é meu trabalho principal, já que todo meu universo profissional está baseado em criação e comunicação. Realmente gosto disso.


Hudson e sua criação

E a fotografia, como ela surgiu em sua vida?

Sempre gostei muito de fotografia, mas incrivelmente, o impulso para começar a fotografar só veio em junho de 2006. Meu "background" como desenhista facilitou o entendimento da luz, e como já tinha um conhecimento prévio dos fundamentos fotográficos, foi fácil ingressar neste novo universo. Tenho um amplo conhecimento do mundo digital, pois lido com programação de computadores desde 1985. Tudo isso acelerou o processo, já que entrei de cabeça na fotografia digital. Em meu primeiro concurso, da Fundação SOS Mata Atlântica, em 2006 (clique aqui), consegui um segudo lugar, que deu uma boa grana para o upgrade do equipamento. Aí, não parei mais. Já tenho vários títulos nacionais e internacionais (clique aqui), e ainda me surpreendo com a velocidade em que tudo isso aconteceu.

 

No uiverso digital, tudo acontece mais rápido...

Certamente. Quem estacionou no "analógico" tem motivos para se preocupar. Ainda mais com a amplitude de conhecimento que podemos encontrar na Internet. Mas precisamos aprender a filtrar o "joio do trigo", pois há muita informação furada também. Quem acha que Internet é só Orkut e diversão não sabe o que perde. Há muita oportunidade na rede.

 

Voltando à Campagnolo: E agora, o que acontecerá com o Vento Blu?

De acordo com o regulamento, ele será utilizado como o novo grafismo da roda Bora em 2008, em comemoração aos 75 anos da fábrica. Além disso, será utilizado no merchandising da empresa durante o ano, em mídia impressa e eletrônica. Para mim, isso vale mais do que o prêmio. O currículo vai ficar bonito! (risos).

 

Falando de prêmio, o que você ganhou com essa vitória?

Uma bicicleta de competição, topo de linha, equipada com componentes de uma série também "top" da Campagnolo, o Chorus. Ela vem também com estas rodas, já com meu grafismo. Na Europa, essa bike valerá 4.500 Euros, segundo o regulamento. Como sou ciclista, esse prêmio é muito representativo. Além disso, o fato de fazer parte da história da Campagnolo é fantástico! (N.R.: Até a data desta entrevista, a Campagnolo ainda não havia revelado o modelo da bicicleta ).

 

É difícil para pessoas que não tem envolvimento com esportes imaginar uma bicicleta tão cara.

É verdade, mas os equipamentos de ponta são realmente caríssimos. Mas isso não acontece apenas no ciclismo. Todo esporte é caro. Já vi raquetes de tênis que custam uma pequena e indecente fortuna! Imagina então uma bike top, direto da Itália, meca do ciclismo mundial!

 

Quando você receberá sua bike nova, então?

A Campagnolo tem 180 dias para fazer a entrega. Deve chegar até agosto/2008. É muito tempo! (risos) Mas o pior, que foi esperar a votação on-line, já passou.

 

Quanto à votação, você sabe o número total de votos que recebeu?

Não. Escrevi um email à Campagnolo solicitando estes números, mas não recebi resposta ainda. O concurso foi realizado em grande escala, todo o planeta estava de olho, foi muito valorizado internacionalmente. Todos gostam muito da Campagnolo. Recebi informações que tive muitos votos em todo o Brasil, mas gostaria de saber os totais. Uma coisa que me impressionou foi a enorme rede de contatos que se formou no país, através da Internet, onde uma pessoa contactava várias outras anunciando o concurso. Percebi, através dos emails que recebia, que todo este pessoal estava votando não apenas para ajudar um brasileiro, mas sim porque estavam realmente gostando da Vento Blu. Isso me deixou muito contente.

 

Bem, podemos terminar por aqui. Algumas palavras finais?

Só quero agradecer a todos que apoiaram, votaram ou se envolveram de alguma forma. Este concurso mostrou que o ciclismo existe no Brasil, e pulsa com vida. Mostrou também que temos muito talento e capacidade, não somos terceiro mundo. Quando temos oportunidades nas mãos, fazemos a diferença. Vocês não imaginam como eu estou feliz! Obrigado a todos que contribuíram, de coração!

 

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