Making-of: Conheça a "Tiny Dancer"!

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Copyright © 2017 by Hudson Malta

Olá, amigos!


Neste making-of vamos ver as etapas de criação da "Tiny Dancer", um estudo de luz e sombra concluído no início de maio/2017. Fiz tudo no Photoshop CS6, com traços à mão-livre diretamente sobre uma Wacom Intuos Pro, sem prévias no papel.


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O propósito

Criar, criar, criar! Estudar, estudar, estudar! Sempre uso meus desenhos e pinturas como fonte de estudo e conhecimento da luz e suas reações. Além disso, consigo exercitar interações entre elementos e formas nas composições, aplicando conceitos semióticos em tudo. Isso tem um grande impacto na minha fotografia, pois consigo reforçar conexões importantes neste "cross-process". Além do mais, tem sempre aquela frase ótima: "O bom da arte é poder fazer algo simplesmente por não precisar fazê-lo". Então, por quê não fazer? :)

O conceito

Pensei neste desenho/pintura como algo que representase iberdade, sensualidade e leveza. Gosto muito de ângulos inusitados, tanto na fotografia como no desenho, então resolvi posicionar a linha de visão "no chão", eliminando toda a parte superior da dançarina para criar mistério e dar liberdade à imaginação.

Para reforçar a suavidade escolhi usar uma forma feminina, com uma leve sensualidade. As luzes e sombras delineiam os volumes do corpo, enquanto o vermelho do vestido completa o tom "sexy".

A leveza vem dos movimentos nas linhas, tanto do corpo quanto das folhas e partículas suspensas. As luzes intensas contribuem para trazer força à composição, e o seguimento do olhar traça uma linha curvilínea que faz com que o observador percorra todo o espaço. Com a composição idealizada na mente, partimos para a ação!

O processo

Tudo começa com um esboço simples sobre um fundo azul. Este fundo já determina a fluidez das linhas e uma tonalização geral da cena que facilita a definição cromática básica. Camadas separadas permitem que eu elimine o esboço posteriormente com facilidade. Sempre uso o Adobe RGB 1998 Color Space, com 16 bits de profundidade, para manter a qualidade das cores e fugir do "Banding". A gravação final é feita em TIFF, pois imprimo em papéis Fine Art bem exigentes, com pigmentos Epson Ultrachrome. Pesa na memória do meu PC (e no bolso...), mas vale a pena.

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Depois, insiro as luzes primárias, que me guiarão na adição de sombras. Este passo é muito importante, pois toda a pintura deve obedecer às direções e comportamentos destas luzes.

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Logo após, determino o que chamo de "massas de cor": áreas de cores sólidas que formam a base para os elementos cromáticos da cena. Neste ponto não me preocupo com os volumes ou a luz, apenas com a forma. O esboço me serve como referência, mas costumo efetuar alterações dos traçados neste momento.

Em algumas artes crio as massas de forma mais criteriosa e precisa, para preservar certas características de traço ou de pincelada. Mas esta foi feita da forma mais básica e rápida ,com grandes espaços de cor sólida.

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Definindas as "massas de cor", passo para as sombras. Às vezes eu defino inicialmente "massas de sombras" mais simples, mas neste caso fui direto ao ponto com sombras elaboradas. As luzes primárias me servem como guias. Meu método é definir mentalmente a interação delas com os objetos da cena, criando algo como um "3D" na mente. Aí, é só passar para a arte aquilo que minha imaginação está produzindo. Assim acredito ter total domínio sobre a luz na cena, já que ela está pronta na minha cabeça.

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O próximo passo é a adição de luzes. Aproveito para retirar o esboço, pois não preciso mais dele. O conceito que sigo é o de "tridimensionalidade pela luz": sombras levam elementos para trás, e luzes os trazem para a frente. No entanto, preciso obedecer às direções e reflexos das luzes primárias. Colocar luzes ou sombras onde não se deve é catastrófico. É importante também considerar reflexos vindos de objetos que não aparecem no desenho. Na verdade, a cena completa, produzida na mente, é tridimensional e bem maior do que a cena retratada na arte. Isso exige uma boa dose de abstração e senso espacial.

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Inseri as folhas usando diversos pincéis diferentes. Alterei os verdes a cada pincelada, variando entre tons escuros, brilhantes e dessaturados para criar profundidade. Criei uma linha de movimento suave, que leva o olhar da esquerda para a direita e complementa as linhas da dançarina.

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Adicionei texturas usando outros brushes e apliquei uma tonalização alaranjada, para criar uniformidade entre os elementos e trazer calor à arte.

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Um toque final na dinâmica...

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... e um acerto na perspectiva, saturação e contrastes. O último passo é a adição de uma granulação orgânica e natural "de filme", mantendo um estilo pessoal que venho usando há tempos. Gosto da estética dos grãos e das dinâmicas tonais de filmes clássicos, como o lendário Kodak Tri-X, e os uso em minhas artes fazendo uma ponte entre a fotografia e o desenho/pintura.

Para isso, uso nos meus desenhos truques que pesquisei e desenvolvi até chegar no resultado que curto, evitando presets padronizados de plugins. Quando uso papel e lápis de verdade (não foi o caso deste desenho), essa granulação já existe naturalmente por conta das texturas dos papéis e tipos de grafite que compõem meu "Drawing Set".

Pronto! Está concluída a "Tiny Dancer", em um trabalho 100% manual e autoral de aproximadamente 2 horas.

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